… que bem os conheço – como por exemplo o meu bro (um abraço!
) – e, obviamente, cidadãos de toda a Lisboa, venham eles de onde vierem, uni-vos!
Temos o raro privilégio de ter uma ligação afectiva e/ou efectiva a uma das mais belas, habitáveis e agradáveis cidades do mundo (é uma opinião pessoal que fui formando nos passeios que fiz em várias capitais europeias e Nova Iorque, e olhem que gostei bastante de todas e não andei à procura de defeitos para poder gabar a minha cidade natal por comparação… claro, como dizem os anglo-saxónicos, your mileage may vary
) e, como quaisquer outros detentores de privilégios (não no sentido depreciativo do termo, claro está), a obrigação acrescida de lutar por eles…
Não me interpretem mal, ninguém está a pensar expulsar-nos de cá ou barrar-vos a entrada (a única coisa que não tem mesmo entrado nesta cidade ultimamente tem sido a comida e os combustíveis… coisa pouca!
). A qualidade de vida, essa, é que vai sendo empurrada para um canto, para os condomínios de luxo do Chiado, enquanto o resto da cidade se esvazia para bairros habitacionais totalmente descaracterizados (Telheiras, onde moro, apesar de ser um bairro pacato e agradável, até nem anda longe disso) e para a periferia. E é sem qualquer desprimor que digo que, sendo até possível que a qualidade de vida na periferia seja melhor em alguns casos, nada substitui uma boa casa no centro de uma cidade cuidada e bem servida de transportes.
E é de cuidado, ou talvez da falta dele, que vos venho falar hoje; certamente já se devem ter deparado, ao andar pela cidade, com alguns buracos no passeio (quando não há carros em cima desses mesmos passeios a tapá-los), prédios abandonados e tantas outras pequenas e grandes situações menos abonatórias em favor da dita cuja qualidade de vida – tudo coisas que, honestamente, não me lembro de ver nos tais sítios no estrangeiro por onde passei, por isso imaginem o quão especial Lisboa é para mim para continuar a achar que vale a pena viver aqui.
Ora, reparar nessas irregularidades e guardá-las para nós não nos leva a lado nenhum. Isso, quanto muito, estraga-nos mais um bocadinho o dia e, se forem chatos como eu e por acaso partilharem esses achados de uma forma obcecada, indispõem os outros à vossa volta. A abordagem ideal é mesmo pegar numa máquina fotográfica (quem é que não tem uma no telemóvel hoje em dia? Parece que só mesmo eu…
), registar o “quadro” e enviar tudo para o CIDADANIA LX, um blog que descobri há relativamente pouco tempo e cuja função principal é denunciar situações dessas (assim como os responsáveis pelas mesmas) e lançar o debate em relação a assuntos que deveriam interessar à maioria dos lisboetas.
Aconselho-vos vivamente também a subscreverem o feed (Atom, RSS) desse blog… Até eu, que saio muito à rua e ando muito a pé por aí, fiquei surpreendido com o estado em que certas zonas da cidade estão. Parece que já estamos tão habituados a ver prédios decrépitos paredes-meias com mamarrachos incaracterísticos que acabamos por filtrar essas “coisas feias” do nosso campo de visão, e isso não favorece em nada o sentido crítico… Por seu turno, existem imensos projectos (dou-vos o exemplo da reactivação do eléctrico 24) que volta e meia “desaparecem” sem deixar rasto, sendo que, por esse facto, aqueles que nunca ouviram falar deles também nunca lhes sentirão a falta.
Não basta estarmos atentos aos buracos no passeio; há que ver a big picture, compreender que há responsáveis políticos nestas situações, movidos pelo interesse, a incúria, ou ambas, e denunciá-los por forma a mudar efectivamente alguma coisa.
Johnny