Arquivo de Novembro, 2007

24
Nov
07

O Futuro [a médio/longo prazo] da Leitura

Há poucos dias a Newsweek, conceituada revista americana, publicou como história de capa um extenso artigo, intitulado The Future of Reading, sobre o novo gadget do momento, o Kindle, um novo leitor de e-books desenvolvido pela Amazon. Naturalmente que este artigo foi extensamente badalado nos meios informativos afectos às TI, especialmente se tivermos em conta que Jeff Bezos, fundador da famosa loja on-line, define o seu produto como o “iPod da leitura”…

Do artigo há a reter especialmente as várias considerações tecidas sobre a relação leitor-autor, o actual estado da indústria editorial e as previsões para o futuro da mesma. Resumido, “in a nutshell”, e da forma como vejo a evolução tecnológica a imiscuir-se cada vez mais em processos comunicacionais sistematizados na nossa sociedade durante períodos de durações variadas (décadas para a música e imagem gravadas, séculos para a palavra impressa, e milénios para a palavra escrita), poderemos estar prestes a assistir à reconversão do meio de comunicação indirecta mais “sagrado” entre os demais (especialmente para os designers de comunicação 😉 ) , o livro.

E essa reconversão terá especial ênfase na parte “indirecta” do livro; a Amazon propõe-nos a hipótese de adquirirmos livros directamente da loja on-line para o nosso Kindle, um pouco como se podem adquirir faixas de música da iTunes Store através de um iPod Touch… Serão porventura mais interessantes e revolucionárias as potenciais funcionalidades de permitir aos autores efectuarem actualizações às suas obras, e de os respectivos leitores providenciarem um feedback ao autor e entre si, tanto sob a forma de comentários como através da partilha de anotações e sublinhados que eventualmente fizerem nas obras que possuam (!).

Quanto ao aparelhómetro em si, será esta frase que resume melhor o pré-requisito para o sucesso de qualquer leitor de e-books:

“Over the centuries, the sweet spot has been identified: something you hold in your hand, something you can curl up with in bed.

Claro. Não seria capaz de definir melhor a relação que tenho com os livros 😉 … Nesse sentido, a escolha do formato para o Kindle, aproximadamente o de um paperback, foi feliz; já o ecrã “e-Ink” – tecnologia promissora mas que atinge apenas, por enquanto, os 167 DPI (assim indicado no artigo; não deveria ser PPI?) em escala de cinzentos – e o seu interface limitado (aquela coisa está mesmo a pedir um touchscreen), assim como algumas opções aberrantes como o seu preço um pouco exorbitante ($399) e a cobrança por parte da Amazon de uma “pequena” quantia na conversão de material próprio do utilizador (.DOCs, .PDFs, etc.) para um formato com ele compatível (tudo o que seja mais que €0,00 é demasiado! 😉 ), não o deixarão ter imediatamente o sucesso a que poderá um dia aspirar.

Em suma, na humilde opinião aqui do je, a Amazon poderá ter a eficácia de uma iTunes Store mas o Kindle, na melhor das hipóteses, terá o sucesso de um Creative Nomad… É um percussor, mas o iPod dos livros ainda estará para vir (quem sabe, pela mão da Apple, mas não é isso que importa neste momento). Ficamos é com a garantia quase certa de que virá; até lá, o melhor que poderemos fazer será prepararmo-nos para as implicações que ele terá na indústria do livro impresso, e aprendermos a aproveitá-las a nosso favor, a bem da eficácia dos processos comunicacionais e do pãozinho na nossa mesa. 😐

Johnny

17
Nov
07

Primeiro Post! ;)

O meu lanche.

Este é o meu primeiro post na minha primeira experiência “a sério” de blog. O seu nome talvez anuncie à partida intenções grandiosas, o que não anda demasiado longe de uma verdade secreta e interior, mas devo dizer já que não tenho experiência nenhuma nisto, por isso a qualidade e a frequência da escrita poderão vir a não ser as melhores. Também gostava de “dar um jeito à casa” antes de abrir a porta – aprender uma coisita ou duas de CSS e dedicar-me a sério a criar um “ambiente” personalizado para o blog – mas a minha disponibilidade, tanto mental como temporal, não é das melhores neste momento. Oh well…

Dito isto, acho que posso começar por fazer o meu “mini-manifesto”: no meu dia-a-dia eu sou um gajo muito “caixa-alta-setenta-e-dois-pontos”, na medida em que acho que o que está cá dentro é para ser aproveitado, assim como o que está por aí fora é para ser esmiuçado, sendo que o resultado desse processo digestivo é para ser exposto sem grandes rodeios nem contemplações.

É verdade que, para além de [re]produzir ruído branco e banalidades inevitáveis, às vezes posso tornar-me um pouco obtuso ou desagradável, ou dizer certas coisas que, no seu conteúdo, sejam mais… rudes, ásperas, desafiadoras ao status quo ou pura e simplesmente parvas. Mas, tal como num título, numa palavra de ordem, numa lápide, há lugar para o estilo – quanto mais não seja tipográfico – que suaviza, intensifica, retira ou acrescenta (temperar a gosto) algo à mensagem, também num blog, ou numa qualquer farpa que lançamos no café, uma simples vírgula ou um ruído gutural bem aplicados podem fazer toda a diferença…

A referência tipográfica não surge, obviamente, por acaso, mas este não vai ser um blog sobre Design. O tema terá forçosamente (espero eu) que surgir com frequência, mas há por aí todo um vasto mundo de pérolas e porcos a explorar por essa web fora, essa verdadeira mina de ouro e caca (basta passar 5 minutos no YouTube para perceber isso 😛 ), e cabe aqui a este humilde mineiro/alquimista fazer o tal exercício de estilo (ou falta dele) vs. conteúdo. Claro que também será boa ideia colocar aqui alguns objectos e ideias originais e/ou anteriormente offline que eu vá conseguindo arrebanhar, para ir mantendo o sistema em crescimento e renovação constantes.

Para terminar, resta-me desejar uma boa navegação aos que por cá passarem, esperar que apreciem a vossa estadia entre cliques e, se os temas vos interessarem, que se sintam à vontade para fazer comentários; mas se não gostarem da vossa estadia podem comentar na mesma! Não vem daí mal nenhum ao mundo, é da maneira que ele não se vira do avesso (citando uma amiga minha 🙂 ), coisa que não me apetecia nada que acontecesse pois retiraria toda a mística à exploração das tripas daquele. 😉

Johnny