Arquivo de Junho, 2008

13
Jun
08

Lisboetas de todo o mundo…

… que bem os conheço – como por exemplo o meu bro (um abraço! 🙂 ) – e, obviamente, cidadãos de toda a Lisboa, venham eles de onde vierem, uni-vos!

Temos o raro privilégio de ter uma ligação afectiva e/ou efectiva a uma das mais belas, habitáveis e agradáveis cidades do mundo (é uma opinião pessoal que fui formando nos passeios que fiz em várias capitais europeias e Nova Iorque, e olhem que gostei bastante de todas e não andei à procura de defeitos para poder gabar a minha cidade natal por comparação… claro, como dizem os anglo-saxónicos, your mileage may vary 😛 ) e, como quaisquer outros detentores de privilégios (não no sentido depreciativo do termo, claro está), a obrigação acrescida de lutar por eles…

Não me interpretem mal, ninguém está a pensar expulsar-nos de cá ou barrar-vos a entrada (a única coisa que não tem mesmo entrado nesta cidade ultimamente tem sido a comida e os combustíveis… coisa pouca! 😛 ). A qualidade de vida, essa, é que vai sendo empurrada para um canto, para os condomínios de luxo do Chiado, enquanto o resto da cidade se esvazia para bairros habitacionais totalmente descaracterizados (Telheiras, onde moro, apesar de ser um bairro pacato e agradável, até nem anda longe disso) e para a periferia. E é sem qualquer desprimor que digo que, sendo até possível que a qualidade de vida na periferia seja melhor em alguns casos, nada substitui uma boa casa no centro de uma cidade cuidada e bem servida de transportes.

E é de cuidado, ou talvez da falta dele, que vos venho falar hoje; certamente já se devem ter deparado, ao andar pela cidade, com alguns buracos no passeio (quando não há carros em cima desses mesmos passeios a tapá-los), prédios abandonados e tantas outras pequenas e grandes situações menos abonatórias em favor da dita cuja qualidade de vida – tudo coisas que, honestamente, não me lembro de ver nos tais sítios no estrangeiro por onde passei, por isso imaginem o quão especial Lisboa é para mim para continuar a achar que vale a pena viver aqui.

Ora, reparar nessas irregularidades e guardá-las para nós não nos leva a lado nenhum. Isso, quanto muito, estraga-nos mais um bocadinho o dia e, se forem chatos como eu e por acaso partilharem esses achados de uma forma obcecada, indispõem os outros à vossa volta. A abordagem ideal é mesmo pegar numa máquina fotográfica (quem é que não tem uma no telemóvel hoje em dia? Parece que só mesmo eu… 😉 ), registar o “quadro” e enviar tudo para o CIDADANIA LX, um blog que descobri há relativamente pouco tempo e cuja função principal é denunciar situações dessas (assim como os responsáveis pelas mesmas) e lançar o debate em relação a assuntos que deveriam interessar à maioria dos lisboetas.

Aconselho-vos vivamente também a subscreverem o feed (Atom, RSS) desse blog… Até eu, que saio muito à rua e ando muito a pé por aí, fiquei surpreendido com o estado em que certas zonas da cidade estão. Parece que já estamos tão habituados a ver prédios decrépitos paredes-meias com mamarrachos incaracterísticos que acabamos por filtrar essas “coisas feias” do nosso campo de visão, e isso não favorece em nada o sentido crítico… Por seu turno, existem imensos projectos (dou-vos o exemplo da reactivação do eléctrico 24) que volta e meia “desaparecem” sem deixar rasto, sendo que, por esse facto, aqueles que nunca ouviram falar deles também nunca lhes sentirão a falta.

Não basta estarmos atentos aos buracos no passeio; há que ver a big picture, compreender que há responsáveis políticos nestas situações, movidos pelo interesse, a incúria, ou ambas, e denunciá-los por forma a mudar efectivamente alguma coisa.

Johnny

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09
Jun
08

À procura do rato

[via Daring Fireball]

 

Clay Shirky, autor do livro “Here Comes Everybody” e especialista na relação inevitável entre progresso tecnológico e social, faz no seu artigo “Gin, Television and Social Surplus” uma análise acutilante a uma situação que sempre despertou uma série de inquietações, umas mais optimistas e outras menos: Cada vez passamos mais tempo “agarrados” (uns mais do que outros 😉 ) ao computador, mais especificamente conectados à internet.

De acordo com o autor, o qual aponta estatísticas nesse sentido, os utilizadores da internet que a ela vivem “agarrados” não têm agora nem mais nem menos tempo livre do que tinham anteriormente; esse é um bem que se tem mantido relativamente inalterado, sendo que o que mudou foi a gestão do mesmo. Assim, começamos agora a investir o nosso tempo na criação de conteúdos próprios em detrimento do consumo acrítico dos produtos propostos pelos media convencionais, nomeadamente a televisão.

Menciona alguns exemplos, entre os quais a extremamente popular Wikipedia (Inglês, Português), como sendo os grandes beneficiários desse investimento e anunciadores da mudança de paradigma que se avizinha. De súbito, os meios de comunicação de massas passam a ser, em certa medida, acessíveis às próprias massas, o que simultaneamente agiliza o processo de recolha e transmissão da informação, assim como aumenta a resistência da mesma face a potenciais manipulações por parte de determinados interesses instituídos.

Não posso deixar de concordar com o autor quando considera que certas actividades aparentemente fúteis como frequentar, quer como consumidor quer como contribuidor, páginas (hilariantes, por sinal 😀 ) como os Lolcats pode ser mais útil que ficar sentado à frente de um ecrã de televisão; digo-o por experiência própria, visto que “a cavalo” de uma actividade maioritariamente lúdica (mesmo sem entrar sequer em considerações sobre a utilidade vital do sentido de humor na vida de uma pessoa) descobri algumas informações inquietantes sobre a indústria da comida para animais, nos fóruns do mesmo site…

Mais: situações como a que se passou recentemente no nosso país, em que um vídeo de uma agressão de uma aluna a uma professora colocado no YouTube acabou nos jornais televisivos e gerou um aceso debate de ideias, repetir-se-ão. E, não tenho grandes dúvidas, algumas delas serão provocadas de uma forma muito mais premeditada e consciente, fruto de inquietações pessoais de cidadãos anónimos que tentam, com maior ou menor sucesso, agitar a consciência colectiva da sociedade.

Obviamente que um optimismo excessivo, além de ingénuo, pode ter efeitos perniciosos; Temos um longo caminho a percorrer e a responsabilidade de educar e estimular as novas gerações (que apesar de tudo têm em relação a nós a vantagem de terem nascido praticamente durante a presente revolução informática e mediática – são aqueles que dependem do rato e, nas palavras do autor, por ele procuram) a criarem um sentido crítico que lhes permita aproveitar o enorme potencial comunicacional (linda rima 😛 ) e de conhecimento de que dispõem.

Ainda assim, desculpem-me o discurso algo retrógrado ou pessimista mas a verdade é que tenho sérias dúvidas em relação a que jovens como os que publicaram o vídeo da agressão à professora por parte da colega estejam muito preocupados com os problemas da sociedade actual. Talvez acordem para a vida e o façam quando chegarem ao mercado de trabalho e se depararem com dificuldades reais? Por agora, possíveis falácias aparte, parece-me que estão mais ocupados a ver os Morangos com Açúcar e, talvez um pouco devido a estes, a desperdiçar as horas que passam na internet (apesar de, de uma forma algo irónica, contribuírem ingenuamente para essa enorme piscina de conhecimento, pelo simples facto de nela se mostrarem em todo o seu esplendor)… Se acabarão por largar os media convencionais e aprender com o conhecimento acumulado entretanto pela sociedade da informação, isso só se saberá no futuro. 😉

Ainda assim, independentemente de o fazerem ou não (e é aqui que entramos na parte elitista do meu post, preparem-se), segundo o autor, mesmo os poucos (em termos estritamente estatísticos) que aproveitarem este novo meio poderão aspirar a uma influência considerável, capaz de rivalizar com os actuais detentores do poder na sociedade, servindo porventura como fiel da balança. Se se conseguir, contra ventos e marés (sem querer ser demasiado alarmista, já há prenúncios preocupantes, dos quais ainda falarei neste blog, de uma evolução no sentido inverso 😐 ), manter a internet como um bastião da liberdade de expressão, poderemos, seguramente, contar com essa mudança no equilíbrio de forças do Poder, tão necessária nos dias de hoje. Podem esperar, da minha parte, algumas contribuições próprias caso encontre pretextos e a difusão de trabalhos relevantes nesse âmbito. 🙂

Johnny

03
Jun
08

Desculpas, desculpas, e uns avisos à navegação

Não tenho escrito muito ultimamente, daí as desculpas: Ah, e tal, tenho tido muito trabalho (yeah, right!)… A verdade é que o acto criativo é por si só complicado, e essa energia quase que a gasto toda na Faculdade. Já o acto interpretativo, esse, está mais concentrado no canto que outra coisa. Sobra ainda o crítico, e para esse não me faltam coisinhas sumarentas “neste país” com que me entreter.

Adiante. No meu caso concreto, ter a vida preenchida não é desculpa, ainda para mais quando uma boa parte do meu tempo livre é passada aqui, e logo a ler artigos extremamente interessantes (bem sei que a noção de “interessante” não é universal, mas tenho a noção de que há um conjunto de temas mais englobantes, e de outros particularmente direccionados para nerds tipógrafos como eu que sejam atraídos pelo nome sugestivo do blog 😉 ) que bem podiam ser aqui referenciados e a partir dos quais eu (ou outros) poderia criar ideias novas e originais.

Dito isso, a minha estratégia vai ser um pouco uma cópia descarada e de inferior qualidade da do magnífico, soberbo, supremo John Gruber (autor do reconhecido Daring Fireball, blog que recomendo vivamente e que praticamente justifica aprender a dominar o inglês para aqueles que não consigam já); aliás, tenciono fazer referências em segunda mão à “linked list” dele, alguns comentários a esses artigos, e inclusivamente aos dele (obviamente que o sr. Gruber não é a minha única referência nem será a minha única fonte, dei apenas o exemplo dele por me parecer ser o mais paradigmático). Da mesma forma, vou tentar fazer o bonito uma vez por outra e publicar também algum material próprio. Sejamos realistas: dá muito menos trabalho gerir um blog assim… Posso manter o interesse dos leitores e das leitoras e partilhar as minhas démarches pelas avenidas, vielas e becos da Internet (não sou muito de andar em auto-estradas, como quem me conhece saberá bem e quem não me conhece ficará a saber 😉 ).

Daí o meu “aviso à navegação” (vulgo “disclaimer”, palavra que utilizo com uma frequência pouco saudável): não, o blog não está morto, mas a sua “vida” não tem necessariamente que ser estar hibernado e receber um post de proporções épicas a cada seis meses, nem que a alternativa passe por funcionar como um agregador de “cenas”, qual katamari pessoal aqui do je. 😛

Espero que gostem do novo formato, e boas guinadas por aí! 🙂

Johnny