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15
Nov
10

Post#03 [Pessoal-Colectivo]: Colaboração & Smart Mobs

É inegável o carácter potencialmente revolucionário que as novas tecnologias móveis terão sobre as sociedades humanas, tanto ao nível da sua estruturação institucional como dos fluxos comunicacionais e das relações sócio-afectivas.

Mais especificamente, tem que ser tido em conta o potenciamento da colaboração entre pares, independentemente do seu grau de afastamento cultural ou geográfico, factor proporcionado pela combinação de ferramentas de produção e difusão de conteúdos e comunicação interpessoal num mesmo objecto, o “keitai” ou “smartphone” (respectivamente nas acepções japonesa e global dessa categoria).

Na década de ’70 do séc. XX, Enzensberger ainda não poderia prever todas as nuances dessa revolução dos media em pormenor no seu ensaio seminal “Constituents of a Theory of the Media”, mas já a preconizava, tal como os seus efeitos, em linhas mais gerais:

“There is no such thing as unmanipulated writing, filming, or broadcasting. The question is therefore not whether the media are manipulated, but who manipulates them. A revolutionary plan should not require the manipulators to disappear; on the contrary, it must make everyone a manipulator.”

Já Howard Rheingold, cuja obra teórica gira em torno da cooperação tecnologicamente assistida, apresenta-nos no seu livro “Smart Mobs: The Next Social Revolution” uma tipologia de organização extensível a grupos de pessoas com os objectivos mais variados, tendo como base comum a sua génese e funcionamento apoiadas nas tecnologias de informação e o seu carácter cooperativo. Não obstante, e contrariamente a Enzensberger, é mais realista no que toca ao carácter potencialmente maligno desses meios de organização e cooperação e apresenta-se mais cauteloso face aos desafios enfrentados pelos utilizadores dessas plataformas, devido ao seu carácter eventualmente disruptivo do status quo:

“Over the next few years, will nascent smart mobs be neutralized into passive if mobile consumers of another centrally controlled mass medium, with the world divided into a small number of producers and a large population of passive consumers? Or will an innovation commons flourish, in which a large number of consumers also have the power to produce? The convergence of smart mob technologies is inevitable. The way we use these technologies, and the way governments allow us to use them, is very much in question. Technologies of cooperation, or the ultimate disinfotainment apparatus? The next several years are a crucial and unusually malleable interregnum. Especially in this interval before the new media sphere settles into its final shape, what we know and what we do matters.”

Sendo que me proponho fazer uma recolha de exemplos díspares e representativos do continuum High-profile/Low-profile no âmbito da produção em novos media, a patente inquietação de Rheingold quanto ao disinfotainment será, naturalmente, um factor a ter em conta na avaliação daqueles últimos.

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