Posts Tagged ‘Interactividade

18
Nov
10

Post#01 [Interactividade]: On Totalitarian Interactivity

A interactividade, processo que pressupõe uma participação activa por parte do destinatário final de um dado objecto, pode, de acordo com as várias categorias definidas por Lev Manovich no seu livro “Language of New Media” no âmbito da formulação do princípio da variabilidade, processar-se em vários graus que vão desde um simples processo de fruição desse objecto até à reconfiguração parcial ou total do mesmo, num processo sempre orientado em função do input do utilizador:

In the case of branching interactivity, the user plays an active role in determining the order in which the already generated elements are accessed. This is the simplest kind of interactivity; more complex kinds are also possible where both the elements and the structure of the whole object are either modified or generated on the fly in response to user’s interaction with a program. We can refer to such implementations as open interactivity to distinguish them from the closed interactivity which uses fixed elements arranged in a fixed branching structure. Open interactivity can be implemented using a variety of approaches, including procedural and object- oriented computer programming, AI, AL, and neural networks.

Referindo-se ao extremo mais fechado das abordagens interactivas e estabelecendo pontes com os regimes totalitários do Leste da Europa, o próprio Manovich alerta-nos no seu ensaio “On Totalitarian Interactivity”, numa visão pessimista, para a substituição que estas fazem das estruturas mentais próprias do utilizador/fruidor de um dado objecto por aquelas do seu criador, processo esse de cariz potencialmente “totalitário” e no qual é apenas esperada uma interacção física e não psicológica:

All classical, and even more so modern art was already “interactive,” requiring a viewer to fill in missing information (for instance, ellipses in literary narration; “missing” parts of objects in modernist paiting [sic]) as well as to move his / her eyes (composition in painting and cinema) or the whole body (in experiencing sculpture and architecture). Computer interactive art takes “interaction” literally, equating it with strictly physical interaction between a user and a artwork (pressing a button), at the sake of psychological interaction. The psychological processes of filling-in, hypothesis forming, recall and identification – which are required for us to comprehend any text or image at all – are mistakingly identified strictly with an objectively existing structure of interactive links.

A reflexão de Manovich sobre este processo potencialmente pernicioso e impositivo será um apontador a ter em conta, de futuro, por mim na exploração de projectos pré-existentes; já no caso de futuros projectos próprios, esse processo poderá ser contrariado ou, em alternativa, manifestamente assumido, consoante o âmbito dos mesmos assim o exiga.