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09
Jun
08

À procura do rato

[via Daring Fireball]

 

Clay Shirky, autor do livro “Here Comes Everybody” e especialista na relação inevitável entre progresso tecnológico e social, faz no seu artigo “Gin, Television and Social Surplus” uma análise acutilante a uma situação que sempre despertou uma série de inquietações, umas mais optimistas e outras menos: Cada vez passamos mais tempo “agarrados” (uns mais do que outros 😉 ) ao computador, mais especificamente conectados à internet.

De acordo com o autor, o qual aponta estatísticas nesse sentido, os utilizadores da internet que a ela vivem “agarrados” não têm agora nem mais nem menos tempo livre do que tinham anteriormente; esse é um bem que se tem mantido relativamente inalterado, sendo que o que mudou foi a gestão do mesmo. Assim, começamos agora a investir o nosso tempo na criação de conteúdos próprios em detrimento do consumo acrítico dos produtos propostos pelos media convencionais, nomeadamente a televisão.

Menciona alguns exemplos, entre os quais a extremamente popular Wikipedia (Inglês, Português), como sendo os grandes beneficiários desse investimento e anunciadores da mudança de paradigma que se avizinha. De súbito, os meios de comunicação de massas passam a ser, em certa medida, acessíveis às próprias massas, o que simultaneamente agiliza o processo de recolha e transmissão da informação, assim como aumenta a resistência da mesma face a potenciais manipulações por parte de determinados interesses instituídos.

Não posso deixar de concordar com o autor quando considera que certas actividades aparentemente fúteis como frequentar, quer como consumidor quer como contribuidor, páginas (hilariantes, por sinal 😀 ) como os Lolcats pode ser mais útil que ficar sentado à frente de um ecrã de televisão; digo-o por experiência própria, visto que “a cavalo” de uma actividade maioritariamente lúdica (mesmo sem entrar sequer em considerações sobre a utilidade vital do sentido de humor na vida de uma pessoa) descobri algumas informações inquietantes sobre a indústria da comida para animais, nos fóruns do mesmo site…

Mais: situações como a que se passou recentemente no nosso país, em que um vídeo de uma agressão de uma aluna a uma professora colocado no YouTube acabou nos jornais televisivos e gerou um aceso debate de ideias, repetir-se-ão. E, não tenho grandes dúvidas, algumas delas serão provocadas de uma forma muito mais premeditada e consciente, fruto de inquietações pessoais de cidadãos anónimos que tentam, com maior ou menor sucesso, agitar a consciência colectiva da sociedade.

Obviamente que um optimismo excessivo, além de ingénuo, pode ter efeitos perniciosos; Temos um longo caminho a percorrer e a responsabilidade de educar e estimular as novas gerações (que apesar de tudo têm em relação a nós a vantagem de terem nascido praticamente durante a presente revolução informática e mediática – são aqueles que dependem do rato e, nas palavras do autor, por ele procuram) a criarem um sentido crítico que lhes permita aproveitar o enorme potencial comunicacional (linda rima 😛 ) e de conhecimento de que dispõem.

Ainda assim, desculpem-me o discurso algo retrógrado ou pessimista mas a verdade é que tenho sérias dúvidas em relação a que jovens como os que publicaram o vídeo da agressão à professora por parte da colega estejam muito preocupados com os problemas da sociedade actual. Talvez acordem para a vida e o façam quando chegarem ao mercado de trabalho e se depararem com dificuldades reais? Por agora, possíveis falácias aparte, parece-me que estão mais ocupados a ver os Morangos com Açúcar e, talvez um pouco devido a estes, a desperdiçar as horas que passam na internet (apesar de, de uma forma algo irónica, contribuírem ingenuamente para essa enorme piscina de conhecimento, pelo simples facto de nela se mostrarem em todo o seu esplendor)… Se acabarão por largar os media convencionais e aprender com o conhecimento acumulado entretanto pela sociedade da informação, isso só se saberá no futuro. 😉

Ainda assim, independentemente de o fazerem ou não (e é aqui que entramos na parte elitista do meu post, preparem-se), segundo o autor, mesmo os poucos (em termos estritamente estatísticos) que aproveitarem este novo meio poderão aspirar a uma influência considerável, capaz de rivalizar com os actuais detentores do poder na sociedade, servindo porventura como fiel da balança. Se se conseguir, contra ventos e marés (sem querer ser demasiado alarmista, já há prenúncios preocupantes, dos quais ainda falarei neste blog, de uma evolução no sentido inverso 😐 ), manter a internet como um bastião da liberdade de expressão, poderemos, seguramente, contar com essa mudança no equilíbrio de forças do Poder, tão necessária nos dias de hoje. Podem esperar, da minha parte, algumas contribuições próprias caso encontre pretextos e a difusão de trabalhos relevantes nesse âmbito. 🙂

Johnny

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17
Nov
07

Primeiro Post! ;)

O meu lanche.

Este é o meu primeiro post na minha primeira experiência “a sério” de blog. O seu nome talvez anuncie à partida intenções grandiosas, o que não anda demasiado longe de uma verdade secreta e interior, mas devo dizer já que não tenho experiência nenhuma nisto, por isso a qualidade e a frequência da escrita poderão vir a não ser as melhores. Também gostava de “dar um jeito à casa” antes de abrir a porta – aprender uma coisita ou duas de CSS e dedicar-me a sério a criar um “ambiente” personalizado para o blog – mas a minha disponibilidade, tanto mental como temporal, não é das melhores neste momento. Oh well…

Dito isto, acho que posso começar por fazer o meu “mini-manifesto”: no meu dia-a-dia eu sou um gajo muito “caixa-alta-setenta-e-dois-pontos”, na medida em que acho que o que está cá dentro é para ser aproveitado, assim como o que está por aí fora é para ser esmiuçado, sendo que o resultado desse processo digestivo é para ser exposto sem grandes rodeios nem contemplações.

É verdade que, para além de [re]produzir ruído branco e banalidades inevitáveis, às vezes posso tornar-me um pouco obtuso ou desagradável, ou dizer certas coisas que, no seu conteúdo, sejam mais… rudes, ásperas, desafiadoras ao status quo ou pura e simplesmente parvas. Mas, tal como num título, numa palavra de ordem, numa lápide, há lugar para o estilo – quanto mais não seja tipográfico – que suaviza, intensifica, retira ou acrescenta (temperar a gosto) algo à mensagem, também num blog, ou numa qualquer farpa que lançamos no café, uma simples vírgula ou um ruído gutural bem aplicados podem fazer toda a diferença…

A referência tipográfica não surge, obviamente, por acaso, mas este não vai ser um blog sobre Design. O tema terá forçosamente (espero eu) que surgir com frequência, mas há por aí todo um vasto mundo de pérolas e porcos a explorar por essa web fora, essa verdadeira mina de ouro e caca (basta passar 5 minutos no YouTube para perceber isso 😛 ), e cabe aqui a este humilde mineiro/alquimista fazer o tal exercício de estilo (ou falta dele) vs. conteúdo. Claro que também será boa ideia colocar aqui alguns objectos e ideias originais e/ou anteriormente offline que eu vá conseguindo arrebanhar, para ir mantendo o sistema em crescimento e renovação constantes.

Para terminar, resta-me desejar uma boa navegação aos que por cá passarem, esperar que apreciem a vossa estadia entre cliques e, se os temas vos interessarem, que se sintam à vontade para fazer comentários; mas se não gostarem da vossa estadia podem comentar na mesma! Não vem daí mal nenhum ao mundo, é da maneira que ele não se vira do avesso (citando uma amiga minha 🙂 ), coisa que não me apetecia nada que acontecesse pois retiraria toda a mística à exploração das tripas daquele. 😉

Johnny